Na última quarta-feira (27), a Fundação Getulio Vargas (FGV) sediou o workshop internacional “Organized Crime, Illicit Economies and Public Policy in Latin America and the Caribbean”, realizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), em parceria com o Leme - Laboratório para Redução da Violência, a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE), a Fundación para la Educación Superior y el Desarrollo (Fedesarrollo) e a plataforma Organized Against Crime (World Bank Group).

O encontro reuniu pesquisadores, especialistas e representantes de diferentes instituições para discutir desafios relacionados ao crime organizado, às economias ilícitas e à produção de evidências para políticas públicas na América Latina e no Caribe. Entre os participantes do Leme estavam Joana Monteiro, diretora executiva e cofundadora; Julia Guerra, diretora de projetos e pesquisa e cofundadora; Vinicius Peçanha, líder de área e líder de projetos; Yasmin Santos, assessora de comunicação; Mathias Lusquinos e Ana Figueiredo, analistas de políticas públicas.

O workshop foi aberto por Joana Monteiro, professora da FGV EBAPE e diretora executiva e cofundadora do Leme, Carlos Charme, representante da CAF no Brasil, e Marcela Meléndez, diretora executiva da Fedesarrollo, que situaram o encontro em uma agenda de produção de conhecimento sobre crime organizado, economias ilícitas e seus impactos sobre o desenvolvimento na América Latina e no Caribe. Após a abertura, as discussões foram organizadas em três eixos temáticos, dedicados aos desafios de mensuração do crime organizado, à extorsão e à mineração ilegal.

A primeira sessão reuniu Joana Monteiro, Daniel Mejía, da Universidad de los Andes, Diego Sanjurjo, do Ministério do Interior do Uruguai e da Universidad Católica do Uruguai, e Edgar Bustos, do Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México, com moderação de Marcela Meléndez, da Fedesarrollo. O debate tratou dos desafios de mensuração do crime organizado em contextos marcados por informações limitadas, fragmentadas ou enviesadas, além dos efeitos da falta de dados consolidados sobre o desenho de políticas públicas, o monitoramento de mercados ilícitos e a tomada de decisão na região.

O segundo eixo abordou a extorsão como mecanismo de extração de renda por organizações criminosas na América Latina e no Caribe. A sessão reuniu Chris Blattman, da University of Chicago, Eduardo Moncada, da Columbia University, Andrés Rengifo, da Rutgers University, e Jairo García, da Fedesarrollo, com moderação de Carlos Charme, da CAF. O debate discutiu a escala, a organização e o alcance territorial da extorsão, seus impactos econômicos e sociais, os limites das respostas do Estado e as evidências necessárias para orientar políticas públicas capazes de alterar os incentivos que sustentam esse mercado ilícito.

Durante o debate, Joana Monteiro destacou os obstáculos relacionados à produção de evidências sobre mercados ilícitos menos visíveis.

“A extorsão é mais escondida do que outras atividades ilícitas. Não conseguimos observar com facilidade como ela opera, quanto é cobrado e qual é a real dimensão desse mercado. Por isso, pesquisas e levantamentos são fundamentais para produzir evidências, entender o fenômeno e pensar em respostas mais efetivas”, afirmou Joana Monteiro.

O terceiro eixo do workshop discutiu mineração ilegal, controle territorial e desenvolvimento local. A sessão reuniu César Ipenza, da Universidad del Pacífico, Estefanía Sánchez, do Centro de Estudos sobre Mineração e Sustentabilidade da Universidad del Pacífico, Daniel Wiesner, da Fedesarrollo, e Maria Eugênia Trombini, do Instituto Igarapé, com moderação de Pablo Brassiolo, da CAF. O debate abordou a expansão da mineração ilegal como economia ilícita associada à informalidade produtiva, falhas regulatórias e redes criminosas, além de seus impactos sobre comunidades locais, meio ambiente e governança pública.

“A capacidade do Estado é limitada, especialmente em regiões como a Amazônia. Se os países não cooperarem e não aplicarem regras de forma conjunta, os esforços para controlar a expansão desses mercados tendem a ser limitados”, destacou Maria Eugênia Trombini durante o debate.

O encontro foi encerrado com uma discussão de síntese sobre os principais pontos debatidos ao longo do dia e as prioridades para uma agenda regional de pesquisa e políticas públicas sobre crime organizado. Conduzida por Juan Fernando Vargas, a conversa final destacou a importância de aprimorar a mensuração dos mercados ilícitos, combinar diferentes fontes de dados e transformar os debates em subsídios concretos para a formulação de políticas públicas na América Latina e no Caribe.