Participantes também discutiram confiança policial e prevenção da violência e conheceram a experiência de transformação urbana da Comuna 13. 

Na sexta-feira, 14 de agosto, a primeira turma do Programa de Formação de Lideranças em Segurança Pública encerrou a agenda de aulas da imersão em Medellín, na Colômbia. No último dia de atividades acadêmicas, os participantes discutiram evidências sobre confiança e legitimidade policial, sobre as diferentes experiências de negociação de paz na Colômbia e sobre os aprendizados do caso de Medellín para o enfrentamento do controle ilegal de território no Rio de Janeiro.

A programação começou com uma aula do professor Michael Weintraub, da Universidad de los Andes e pesquisador afiliado ao Leme, sobre confiança e legitimidade do trabalho policial, na qual se discutiu a confiança da população nas forças de segurança como um recurso essencial para a atividade policial, especialmente para a obtenção de informações sobre crimes e grupos criminosos. Foram apresentadas evidências sobre quais práticas policiais fortalecem ou reduzem essa confiança e afetam a disposição da população para colaborar.

Weintraub destacou um experimento de justiça procedimental conduzido com a Polícia Nacional da Colômbia, no qual policiais foram treinados para adotar protocolos de abordagem neutros e respeitosos, resultando em aumento da confiança da população na instituição. A apresentação também discutiu experiências brasileiras que contribuíram para fortalecer a confiança nas forças de segurança, como a adoção de câmeras corporais pela Polícia Militar de São Paulo e a criação e atuação do RAIO (Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas), unidade especializada da Polícia Militar do Ceará.

Na sequência, o pesquisador e gestor público Andrés Preciado, especializado em segurança e criminalidade, recuperou a trajetória das negociações conduzidas pelos governos colombianos com grupos armados, com ênfase no processo que levou ao acordo de paz e à desmobilização das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A partir dessa experiência, a apresentação discutiu a política de Paz Total do governo de Gustavo Petro, que estendeu a aposta na negociação a grupos armados de natureza criminal. A análise apontou fragilidades dessa política e mostrou como parte delas decorre da pouca incorporação das lições acumuladas pela Colômbia em experiências anteriores de negociação e desmobilização.  

No período da tarde, os participantes realizaram uma sessão de debrief sobre a imersão. A sessão materializou muito do que vinha sendo construído ao longo dos quatro meses de curso e ganhou força com a semana de convivência na Colômbia. O acúmulo de conhecimento e a confiança construída entre os participantes permitiram uma troca especialmente rica entre atores de diferentes órgãos, que dificilmente teriam a oportunidade de discutir o problema do Rio de Janeiro com tal grau de abertura e profundidade. A conversa produziu ajustes concretos nos projetos desenvolvidos pelos grupos e renovou o ânimo dos participantes diante das possibilidades de enfrentar os desafios de segurança pública do estado.  

Parte da turma participou ainda de uma reunião com representantes das Secretarias de Segurança e de Juventude de Medellín. Durante o encontro, foi apresentado o programa Parceros, iniciativa que utiliza uma abordagem integrada e multidimensional em algumas comunas do município para prevenir a violência e o envolvimento criminal de crianças e adolescentes. 

A agenda de aulas foi encerrada na sexta-feira, mas a imersão propriamente dita terminou no sábado, 15 de agosto, com uma visita à Comuna 13, território de Medellín historicamente marcado por conflitos violentos e que hoje apresenta uma realidade bastante distinta, com policiamento ostensivo, infraestrutura urbana e intensa circulação de moradores e turistas.  

A atividade permitiu aos participantes conhecer de perto um território cujas características e desafios guardam semelhanças com os observados em favelas do Rio de Janeiro, mas onde foi possível superar um dos problemas mais graves enfrentados hoje no estado: o controle territorial armado que restringe a circulação, a atuação do poder público e o acesso de outros atores externos. 

A imersão em Medellín integrou a formação da primeira turma do Programa de Formação de Lideranças em Segurança Pública, promovida pelo Leme em parceria com a FGV EBAPE e a Universidad EAFIT. Ao longo da agenda, os participantes conheceram experiências acadêmicas e institucionais relacionadas à segurança pública, ao crime organizado, à justiça criminal, à prevenção da violência e à construção de estratégias de atuação baseadas em evidências.  

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