No dia 14 de julho, Giovanna Úbida, líder de projetos do Leme, ministrou a palestra "Violência contra a Mulher: o que a evidência científica pode ensinar à Polícia" no Curso Superior de Polícia – Especialização em Gestão em Segurança Pública, promovido pela Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra" (ACADEPOL), da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A atividade integrou a programação da especialização voltada à formação de delegados e demais profissionais da segurança pública.
A palestra apresentou resultados de pesquisas sobre violência contra a mulher e discutiu como a produção de evidências pode contribuir para o aprimoramento da atuação policial e da formulação de políticas públicas. Ao longo da exposição, Giovanna destacou a importância de compreender as especificidades da violência doméstica e da violência por parceiro íntimo, diferenciando esses fenômenos de outras formas de violência letal e demonstrando como essas distinções devem orientar a atuação das instituições de segurança pública.
Entre os temas abordados estiveram os desafios da mensuração da violência contra a mulher e a interpretação de diferentes indicadores utilizados para monitorar o fenômeno. A apresentação discutiu como registros policiais, pesquisas de vitimização, dados de mortalidade e informações provenientes de serviços especializados respondem a perguntas distintas e, por isso, devem ser analisados de forma complementar na formulação de diagnósticos e políticas públicas.
Outro eixo da palestra foi a discussão sobre a dinâmica da violência doméstica e sua progressão ao longo do tempo. A partir de evidências produzidas pela literatura científica, Giovanna destacou que o feminicídio costuma ser precedido por episódios recorrentes de controle, ameaças, violência psicológica e violência física, reforçando a importância da identificação precoce de situações de risco e da atuação preventiva das instituições responsáveis pela proteção das vítimas.
A apresentação também reuniu resultados de pesquisas sobre os efeitos de diferentes políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Foram discutidas evidências relacionadas aos impactos da Lei Maria da Penha, das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e de serviços integrados de atendimento às vítimas, destacando como a especialização institucional, a articulação entre diferentes órgãos e a responsabilização dos agressores contribuem para modificar comportamentos, ampliar a confiança das vítimas no sistema de justiça e reduzir a violência letal contra mulheres.
A palestra encerrou destacando que a produção de evidências não substitui a experiência dos profissionais que atuam na linha de frente da segurança pública, mas amplia sua capacidade de compreender padrões, avaliar resultados e aperfeiçoar estratégias de prevenção e proteção.