Nas últimas semanas, o Leme realizou uma série de visitas a instituições e equipamentos em Fortaleza, no Ceará, para conhecer de perto iniciativas voltadas à prevenção da violência e à ressocialização de jovens. A agenda contou com a participação de Julia Guerra, diretora e cofundadora do Leme, Chris Blattman, economista e professor da Universidade de Chicago, Moustafa El-Kashlan, doutorando em Economia da Universidade de Chicago, e Alexandre Simões, doutorando em Economia da Universidade de Chicago e pesquisador associado do Leme.
A programação incluiu visitas a centros socioeducativos, equipamentos comunitários e encontros com gestores públicos. Nessa agenda, os pesquisadores estiveram no Centro Socioeducativo Cardeal Aloísio Lorscheider e do Dom Bosco, acompanhados dos diretores Neuton Santos e Ramon Nascimento, e da coordenadora de gestão e comunicação, Fabiana Pimenta. Na ocasião, foram discutidas as mudanças introduzidas desde a criação da Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas).
“A partir de 2017, essas unidades passaram a funcionar sem separar os jovens por território ou facção. Foi muito interessante observar essa mudança de perto, sobretudo pela maneira como eles fortalecem a inclusão e o diálogo entre internos e equipes”, destacou Simões.
Em outro momento, a equipe também conheceu o Na Paz, equipamento do Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência do Governo do Estado do Ceará (PreVio), que atende jovens em situação de vulnerabilidade. Os pesquisadores foram recebidos pelo diretor de Estatística da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), Franklin Torres, pelo diretor de Pesquisa de Avaliação de Políticas de Segurança, Eudázio Sampaio, e pelas gerentes do projeto Marília Goya e Emanoela Pinheiro, e o coordenador Márcio Catanho.
A visita teve como intuito conhecer os equipamentos e as atividades desenvolvidas no local. Durante o encontro, os pesquisadores ouviram experiências relatadas pelos profissionais e discutiram como os adolescentes assumem papéis ativos em projetos como o Na Paz, Jovens Mediadores, Empodera e Virando o Jogo.
“O programa [Virando o Jogo] foca em jovens que evadiram da escola e não têm um emprego formal. Aproveitamos para observar como a unidade identifica e atrai esses adolescentes de alto risco, seja a partir de dados oficiais da educação, ou por meio do trabalho de agentes comunitários e assistentes sociais”, afirmou Simões.
Outro ponto da agenda foi a reunião com o superintendente do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas), Roberto Bassan Peixoto. O encontro reforçou a disposição de cooperação entre o Leme e a instituição, com foco no fortalecimento do acompanhamento da trajetória de jovens internados e na realização de avaliações de impacto mais robustas nos programas em Fortaleza.
Por fim, a equipe foi recebida no Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca), no Mondubim, pelo secretário da Juventude de Fortaleza, Júlio Brizzi, e pela coordenadora Cibely Moura. O grupo discutiu a infraestrutura do equipamento e a possibilidade de desenvolver uma avaliação de impacto sobre o papel desses centros no engajamento escolar e na redução do envolvimento juvenil com a violência.
Para o Leme, essa série de encontros representou uma oportunidade de viabilizar a cooperação com gestores públicos e iniciativas locais, reforçando o compromisso em desenvolver avaliações rigorosas que contribuam para medir resultados, apoiar decisões de política pública e ampliar o alcance de programas voltados a adolescentes em maior situação de risco social.






