Entre os dias 30 de junho e 2 de julho, a equipe do Leme realizou uma agenda de campo no Ceará para avançar na avaliação de impacto do Empodera, programa de prevenção à violência doméstica que integra o PReVio (Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência do Estado do Ceará). A agenda passou por Crato e Juazeiro do Norte, na região do Cariri, e por Iguatu.

Nos três municípios, a equipe conversou com as assessoras técnicas responsáveis pela execução do programa e acompanhou a aplicação de questionários junto às participantes, uma das etapas da coleta de dados conduzida pelo Leme. Participaram da agenda Palloma Marciano, líder de projetos, e Nina Rosa, voluntária. 

Empodera: autonomia pessoal e econômica no enfrentamento à violência 

Voltado ao enfrentamento à violência contra as mulheres, o Empodera combina ações de fortalecimento pessoal e autonomia econômica. Com duração de cerca de dez meses, o percurso é organizado em três módulos. O primeiro, de empoderamento pessoal, trabalha temas como autoestima, autocuidado e habilidades socioemocionais por meio de encontros e rodas de conversa.

No segundo, de empoderamento econômico, as participantes desenvolvem seus planos de negócio e recebem orientações sobre precificação e custos. Ao final desse módulo, recebem um capital semente, recurso financeiro destinado a apoiar a estruturação ou o fortalecimento de seus negócios. No módulo final, de incubação, recebem acompanhamento para colocar em prática e desenvolver as atividades planejadas ao longo do programa. Durante o percurso, as participantes também recebem uma bolsa de incentivo. 

Percepções sobre o Empodera nos territórios 

Nas conversas realizadas durante as visitas, as assessoras técnicas destacaram as mudanças pessoais entre os aspectos mais perceptíveis ao longo do programa. Segundo seus relatos, mulheres que chegam aos primeiros encontros mais retraídas passam gradualmente a participar das atividades, com mudanças de postura, autoestima e autocuidado, além de maior capacidade de reconhecer e nomear situações de violência. 

As assessoras também relataram mudanças relacionadas à autonomia econômica. Entre os exemplos mencionados estão participantes que passaram a rever a precificação de produtos comercializados havia anos, mulheres que retomaram atividades interrompidas em decorrência de situações de violência e participantes que utilizaram o capital semente para estruturar negócios que até então funcionavam de maneira informal. 

A procura pelo programa também chamou a atenção da equipe. Em Iguatu, um aulão aberto de apresentação do Empodera, realizado antes da seleção das turmas, reuniu mais de 90 mulheres. Em Crato, a lista de espera chegou a 178 interessadas, indicando uma demanda superior à capacidade de atendimento do programa. 

Acompanhamento da coleta de dados 

Além das entrevistas com as equipes locais, o Leme acompanhou a coleta de dados da avaliação em diferentes momentos do programa. Em Crato, durante a agenda de campo, a equipe observou a aplicação de um questionário a participantes que haviam concluído o módulo de empoderamento econômico. 

O acompanhamento continuou em agosto. No dia 10, Giovanna Úbida, líder de projetos do Leme, esteve no território de Vicente Pinzón, em Fortaleza, durante a aplicação do questionário a uma turma que havia concluído o módulo de empoderamento pessoal. As duas visitas permitiram observar a coleta de dados em diferentes etapas da trajetória das participantes e acompanhar, junto às assessoras técnicas responsáveis pelas turmas, como esse processo ocorre na prática. 

Próximos passos da avaliação 

Os aprendizados reunidos durante as visitas de campo e o acompanhamento da aplicação dos questionários serão incorporados às próximas etapas da avaliação de impacto do Empodera. A aproximação com as equipes e participantes permite compreender melhor as particularidades da implementação nos territórios e aperfeiçoar os instrumentos e procedimentos utilizados na pesquisa. 

O trabalho faz parte da parceria do Leme com o Governo do Estado do Ceará no âmbito do PReVio e busca produzir evidências que contribuam para o aprimoramento das políticas de prevenção e redução da violência e para o fortalecimento do uso de dados na formulação e implementação de políticas públicas.